"> PF pede a Fachin suspeição de Toffoli no inquérito do Banco Master

 

Politica - 11/02/2026 - 21:00:55

 

PF pede a Fachin suspeição de Toffoli no inquérito do Banco Master

 

Da Redação .

Foto(s): Divulgação / STF

 

Relatório sobre mensagens no celular de Daniel Vorcaro foi entregue ao presidente do STF. Pedido será analisado por Fachin; Toffoli diz que a PF não é parte para requerer suspeição e que apresentará manifestação.

Relatório sobre mensagens no celular de Daniel Vorcaro foi entregue ao presidente do STF. Pedido será analisado por Fachin; Toffoli diz que a PF não é parte para requerer suspeição e que apresentará manifestação.

A Polícia Federal formalizou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, solicitação de suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que investiga fraudes no Banco Master. O pedido ocorreu após a corporação encontrar menções ao nome de Toffoli em mensagens apreendidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

Conteúdo do relatório policial

A Polícia Federal identificou citações ao ministro Toffoli durante perícia realizada no aparelho celular de Daniel Vorcaro, apreendido em operação de busca e apreensão. O conteúdo das mensagens permanece sob segredo de Justiça. A solicitação de suspeição foi entregue no dia 9 de fevereiro de 2026 pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diretamente ao presidente da Corte.

O relatório apontou ainda que os dispositivos de Vorcaro continham referências a outras pessoas com foro privilegiado, sinalizando três novas frentes de investigação no caso. Durante a primeira fase das apurações, a corporação identificou que o Banco Master emitiu 50 bilhões de reais em Certificados de Depósito Bancário prometendo juros acima das taxas de mercado, sem comprovar liquidez para honrar os compromissos.

Decisão de Fachin e resposta de Toffoli

Ao receber o relatório, o presidente do STF abriu um processo administrativo interno e determinou a notificação de Toffoli para apresentar manifestação sobre o pedido de suspeição. A decisão sobre a permanência do ministro na relatoria do inquérito caberá exclusivamente a Fachin.

Em nota divulgada pelo gabinete, Toffoli classificou o pedido da Polícia Federal como baseado em ilações e argumentou que a corporação não possui legitimidade jurídica para solicitar suspeição, por não ser parte no processo conforme estabelece o artigo 145 do Código de Processo Civil. O ministro informou que apresentará resposta formal ao presidente da Corte.

"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", afirma a nota.

Leia a nota na íntegra sobre a defesa de Daniel Vorcaro:

“A defesa de Daniel Vorcaro manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa. O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos. Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia.".

“A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais.”

Reações de parlamentares

O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, referiu-se ao caso como Tofollão, em alusão ao escândalo do Mensalão, e anunciou que a comissão votará requerimentos de quebra de sigilo e convocações de envolvidos após o período de Carnaval. A senadora Damares Alves informou que o grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal e com Fachin na mesma data, destacando que ambos demonstraram compromisso com transparência nas apurações.

O deputado federal Kim Kataguiri declarou que os agentes da Polícia Federal estão arriscando carreiras ao investigar o caso e convocou mobilização popular para pressionar pela saída de Toffoli da relatoria. Anteriormente, em janeiro de 2026, senadores da oposição haviam protocolado pedido de impeachment contra o ministro, alegando crimes de responsabilidade por atuação que consideraram irregular no caso do Banco Master.

Contexto das investigações

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília. As investigações indicam esquema envolvendo gestão fraudulenta de fundos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro, com valores que podem alcançar 17 bilhões de reais.

Em janeiro de 2026, o presidente do STF havia defendido publicamente a atuação de Toffoli no caso, afirmando que a Corte não se curva a ameaças ou intimidações e ressaltando que eventuais dúvidas sobre procedimentos seriam analisadas conforme ritos internos. A defesa ocorreu em resposta a críticas sobre a permanência do ministro como relator após revelações de que um fundo de investimento ligado ao Banco Master havia adquirido participação em resort no Paraná que pertencia a familiares de Toffoli.

O Banco Master foi submetido a liquidação extrajudicial pelo Banco Central após apurações que identificaram a emissão de títulos com promessa de pagamento de até 40 por cento acima da taxa básica de mercado, retornos considerados irreais pela Polícia Federal. Parte dos recursos captados teria sido aplicada na compra de créditos inexistentes de uma empresa chamada Tirreno, posteriormente vendidos ao BRB por 12,2 bilhões de reais sem documentação adequada.

(*) Com informações das fontes: Agência Brasil, Gazeta do Povo, InfoMoney, Correio Braziliense, CNN Brasil, G1, Veja, Poder360, Migalhas, O Tempo, Agência Pública.

Links
Vídeo