"> EUA aplicam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil; CNI e Fiesp indicam perdas no comércio

 

Economia - 16/07/2026 - 09:02:41

 

EUA aplicam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil; CNI e Fiesp indicam perdas no comércio

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

Secretário Marco Rubio confirma determinação de tarifas sob justificativa de falta de acordo em negociações bilaterais. Entidades do setor produtivo apontam redução de US$ 2,6 bilhões nas exportações e Congresso Nacional avalia aplicação do princípio de reciprocidade aduaneira.

Secretário Marco Rubio confirma determinação de tarifas sob justificativa de falta de acordo em negociações bilaterais. Entidades do setor produtivo apontam redução de US$ 2,6 bilhões nas exportações e Congresso Nacional avalia aplicação do princípio de reciprocidade aduaneira.

Medida Tarifária Anunciada pelos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos determinou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre as importações de produtos originários do Brasil. O secretário de Estado do país, Marco Rubio, declarou em canal de comunicação oficial que a decisão decorre da ausência de acordos bilaterais em negociações comerciais anteriores. Segundo o comunicado, a medida reflete o posicionamento da administração de Washington em relação à política econômica brasileira conduzida no período recente.

Marco Rúbio no X em PT-BRE

A tarifa de 25% incide sobre a maioria dos itens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.

Posicionamento da Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota de posicionamento sobre a taxação. A entidade aponta que a medida reduz a competitividade do produto do Brasil em comparação com concorrentes de outros países, por se limitar ao território nacional de forma exclusiva.

A Fiesp indicou que o mercado dos Estados Unidos constitui o destino principal para as exportações de valor agregado do Brasil. O presidente da entidade, Paulo Skaf, declarou que o encargo tarifário soma-se a fatores internos do ambiente de negócios brasileiro, como a carga tributária e as taxas de juros praticadas no mercado doméstico. A federação informou que manterá diálogo com representações parceiras nos Estados Unidos com o objetivo de obter isenções adicionais para linhas de produtos.

FIESP

Posicionamento da CNI e Impactos nos Estados

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou dados que demonstram os efeitos de tarifas aplicadas desde o ano de 2025. De acordo com a CNI, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram redução de 13%, montante correspondente a US$ 2,6 bilhões. A retração ocorreu principalmente no segmento de bens industriais, com queda de 8,7% no comércio de itens como semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira e óleos de petróleo.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, apontou que 20 das 27 unidades da federação registraram queda nas exportações para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

Abaixo constam os dados de exportação dos estados brasileiros mais afetados, relativos ao período de janeiro a junho de 2026:

Estado Valor Exportado para os EUA (Jan-Jun 2026) Participação do Destino nas Exportações (%) Variação Anual (2026-2025) (%)
São Paulo US$ 6,0 bilhões 17,1% Sem dados
Rio de Janeiro US$ 2,9 bilhões 10,3% -15,4%
Minas Gerais US$ 1,9 bilhão 8,6% -18,9%
Espírito Santo US$ 1,4 bilhão 27,5% -19,2%
Rio Grande do Sul US$ 744,3 milhões 7,6% -22,6%
Santa Catarina US$ 582,9 milhões 9,5% -32,9%
Paraná US$ 499,6 milhões 4,2% -32,9%
Goiás US$ 462,5 milhões 6,6% -42,1%
Pará US$ 416,7 milhões 3,2% -31,4%
Bahia US$ 373,2 milhões 6,3% -14,0%
Mato Grosso do Sul US$ 371,0 milhões 6,3% -13,7%
Ceará US$ 349,8 milhões 33,4% -36,9%

Produtos Isentos de Tarifação

A lista de produtos que permanecem fora da incidência da tarifa de 25% inclui insumos e matérias-primas que não possuem substitutos equivalentes na produção do país importador. Os itens não tarifados constam a seguir:

  • Café em grão não torrado;

  • Minério de ferro e concentrados;

  • Soja em grãos e farelo de soja;

  • Celulose de madeira;

  • Frutas sem processamento industrial.

Reação do Congresso Nacional e Reciprocidade

No âmbito político, o Congresso Nacional do Brasil analisa medidas legislativas para autorizar a aplicação do princípio de reciprocidade aduaneira. Parlamentares articulam a imposição de tarifas equivalentes de 25% sobre produtos importados dos Estados Unidos como forma de compensação econômica. A legislação brasileira prevê mecanismos de retaliação comercial em conformidade com as regras de comércio internacional, condicionados à aprovação do Poder Legislativo e do Executivo Federal.

As influências da medida nos Estados Unidos envolvem o aumento de custos de produção para indústrias que dependem de insumos de origem brasileira, além de pressões sobre os índices de preços ao consumidor. No Brasil, o impacto se concentra na diminuição das receitas de exportação de empresas industriais e na necessidade de redirecionamento de fluxos de comércio para outros mercados parceiros.

(*) Com informações das fontes: Secretaria de Estado dos Estados Unidos, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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