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A Operação Estafeta foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 14 de agosto de 2025, com o objetivo de apurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa com indícios de atuação na administração pública de São Bernardo do Campo, município da Grande São Paulo. A ação cumpriu dois mandados de prisão preventiva, 20 mandados de busca e apreensão e medidas de afastamento de sigilos bancário e fiscal em endereços das cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá.
Marcelo de Lima Fernandes, prefeito do município e filiado ao Podemos, foi um dos alvos da operação. Ele assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2025, após ser eleito no segundo turno das eleições municipais de 2024 com 55,74% dos votos válidos. A investigação teve início após a apreensão, em julho de 2025, de cerca de R$ 14 milhões em espécie, parte em dólar, com o servidor Paulo Iran Paulino Costa, apontado como operador financeiro do prefeito. Análise de equipamentos apreendidos indicou que o servidor pagava contas pessoais do prefeito, de sua esposa e de sua filha.
A Justiça de São Paulo determinou o afastamento de Marcelo Lima do cargo por um ano, a obrigatoriedade de uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acesso a prédios públicos do município. O pedido de prisão preventiva apresentado contra ele foi negado pela Justiça. Dois empresários e um servidor foram presos preventivamente durante a operação. Policiais federais apreenderam cerca de R$ 1,9 milhão em dinheiro vivo em endereços alvo, além de veículos de marcas importadas pertencentes a empresários investigados.
Em 18 de setembro de 2025, o Ministério Público de São Paulo protocolou denúncia contra Marcelo Lima e mais nove pessoas, entre vereadores e empresários, por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia aponta desvio de R$ 16,9 milhões em recursos públicos, com indícios de pagamento de propina em contratos nas áreas de obras, saúde e manutenção municipal. Uma das empresas alvo de busca e apreensão é a Quality Medical Comércio e Distribuidora de Medicamentos, identificada como parte do núcleo empresarial do suposto esquema.
No dia 10 de outubro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça determinou o retorno de Marcelo Lima ao cargo de prefeito. A decisão atendeu a habeas corpus impetrado pela defesa, que argumentou ausência de fundamentação suficiente para a manutenção do afastamento. Em 18 de dezembro de 2025, ministro do STJ concedeu liminar suspendendo as investigações e ações penais relacionadas à Operação Estafeta, até o julgamento pelo plenário da corte de recurso apresentado pela defesa.
Em abril de 2026, Marcelo Lima assumiu a presidência estadual do Podemos no Estado de São Paulo, para mandato do biênio 2026/2027. A posse ocorreu em evento oficial do partido em São Paulo. A direção estadual do Podemos tem atribuição de articular a participação do partido nas eleições gerais de 2026, que ocorrem em 4 de outubro para escolha de presidente, vice-presidente, membros do Congresso Nacional, governadores, vice-governadores e assembleias legislativas estaduais.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), vinculado ao Ministério Público de São Paulo, atua na região do ABC Paulista em ações de repressão a organizações criminosas, como a Operação Dark Side deflagrada em agosto de 2026 contra tráfico de drogas. A Operação Estafeta foi conduzida pela Polícia Federal com apoio do Ministério Público de São Paulo.
No cenário das eleições de 2026, a disputa presidencial registra 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral até o fechamento do prazo em 15 de agosto de 2026. Pesquisas de opinião realizadas entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026, com amostra de 2.004 eleitores, indicam empate técnico entre os dois principais candidatos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Distrito Federal.
O município de São Bernardo do Campo, com população estimada em 844 mil habitantes, integra a região do ABC Paulista, núcleo industrial da Grande São Paulo. A cidade foi palco de inauguração de campanha eleitoral presidencial em agosto de 2026, com realização de evento público no centro urbano.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES E REGISTROS ENVOLVENDO MARCELO LIMA
Operação Lix (2021) Em outubro de 2021, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) ABC apresentou denúncia contra Marcelo Lima, que na época ocupava os cargos de vice-prefeito e secretário de Serviços Urbanos de São Bernardo do Campo. A denúncia refere-se a contrato emergencial e sem licitação firmado em 2018 com a empresa Emparsanco, para prestação de serviços de coleta de resíduos sólidos. O contrato foi assinado pelo secretário adjunto Mário César Ortolan, durante período em que Marcelo Lima estava licenciado para disputar eleição para deputado federal.
Recebimento de auxílio emergencial por familiar A filha de Marcelo Lima recebeu 16 parcelas do auxílio emergencial, benefício pago pelo governo federal durante a pandemia de COVID-19. Na época do recebimento, Marcelo Lima exercia o cargo de vice-prefeito do município. A estudante também foi citada pela investigação da Operação Estafeta em relação a outros tipos de pagamentos efetuados pelo operador financeiro Paulo Iran.
Vínculo com vereador afastado Danilo Lima, primo de Marcelo Lima e presidente da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, também foi alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Estafeta. Mensagens interceptadas no celular de Paulo Iran apontam recebimento de valores por Danilo Lima, inclusive dentro das dependências da Câmara Municipal. Ele ficou afastado do cargo por 84 dias, até que o Superior Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus autorizando seu retorno às funções.
Réu em ação criminal Em 15 de dezembro de 2025, a Justiça de São Paulo tornou Marcelo Lima réu pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida pelo juiz Roberto Porto, relator da ação, que destacou existência de objetos e documentos apreendidos no apartamento de Paulo Iran que serviram de base para o recebimento da denúncia.
Discussão de CPI na Câmara Municipal Em 19 de agosto de 2025, durante primeira sessão da Câmara Municipal após a deflagração da Operação Estafeta, vereadores protocolaram requerimento para abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos investigados pela Polícia Federal. A sessão contou com dois assentos vagos, em razão do afastamento de Danilo Lima e do vereador Ary José de Oliveira (PRTB), também alvo da operação.
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Potanto deve ser aguardado decisão judicial condenando ou absolvendo Marcelo Lima.
(*) Com informações das fontes: Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral, Prefeitura de São Bernardo do Campo, veículos de comunicação de circulação nacional e regional.
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